Caldas da Rainha, 16 de Março de 1974 – Cronologia

15 de Março de 1974 – Demissão dos generais Costa Gomes e António de Spínola por se terem recusado a participar na “Brigada do Reumático”. O lugar de vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas foi suprimido.

15 de Março de 1974 – Contra-almirante António Tierno Bagulho é demitido do cargo de secretário-geral adjunto do Departamento da Defesa Nacional.

15 de Março de 1974 – Embarque do capitão Vasco Lourenço para Ponta Delgada e do capitão Antero Ribeiro da Silva para o Funchal.

15 de Março de 1974 – Almoço do general António Spínola com o coronel Rafael Ferreira Durão, tenentes-coronéis Dias de Lima e João de Almeida Bruno e o capitão António Ramos, no Hotel Embaixador, em Lisboa, onde foi equacionada a hipótese de um golpe militar a desencadear brevemente.

15 de Março de 1974 – Tenente-coronel Horácio Lopes Rodrigues toma posse como novo comandante no RI 5, afirmando estar determinado «cumprir e fazer cumprir ordens, exclusivamente, na dependência hierárquica do Comandante da Região Militar de Tomar».

15 de Março de 1974 – Reunião do tenente-coronel João de Almeida Bruno com oficiais afectos ao general Spínola, na Academia Militar, entre os quais o coronel Rafael Ferreira Durão e major Joaquim Mira Mensurado.

15 de Março de 1974 – Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar entrega a medalha de ouro aos generais António de Spínola, Costa Gomes e Venâncio Deslandes, sendo Spínola eleito presidente da Mesa da Assembleia Geral.

15 de Março de 1975 – Editorial do JORNAL PORTUGUÊS DE ECONOMIA E FINANÇAS interroga-se: «que lucrou o país com este livro infeliz? Perdeu um general na reserva da República para ficar apenas – necessariamente – com um general da República na reserva».

15 de Março de 1974 – Reunião do Movimento dos Oficiais das Forças Armadas com a presença dos majores Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Soares Monge e Luís Casanova Ferreira e capitão Armando Marques Ramos, durante a qual são informados telefonicamente pelo capitão Manuel Ferreira da Silva de que o Centro de Instruções de Operações Especiais, de Lamego, se encontra em situação de insubordinação contra a demissão dos dois generais.

15 de Março de 1974 – Capitão Armando Ramos chega ao Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha), cerca das 23 horas.

15 de Março de 1974 – Capitão Farinha Ferreira foi detido pela PIDE/DGS à porta da casa do tenente-coronel João de Almeida Bruno, pouco antes da meia-noite.

15 de Março de 1974 – O Comité de Descolonização da ONU (Comité dos 24) adopta por unanimidade uma resolução exigindo de Portugal o fim imediato das suas guerras coloniais e os actos de repressão contra os povos da Guiné, Angola e Moçambique.

16 de Março de 1974 – O capitão Virgílio Luz Varela e tenentes Rocha Neves, Gomes Mendes e Silva Carvalho, pouco depois da meia-noite, neutralizam o coronel Horácio Lopes Rodrigues e o tenente-coronel Farinha Tavares, comandante e o segundo-comandante do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha), na crença que o CIOE (Lamego), a EPC (Santarém), a EPA, a EPI e o RC n.º 7 iriam secundar o levantamento.

16 de Março de 1974 – Os ministros das pastas militares, outros membros do Governo e altas patentes das Forças Armadas estiverem em reunião permanente no Ministério do Exército, das 2 às 6 horas da manhã.

16 de Março de 1974 – Almirante Américo Thomaz, prof. Marcello Caetano e membros do Governo procuram refúgio no Quartel-General da Região Aérea, em Monsanto, protegidos por tropas pára-quedistas.

16 de Março de 1974 – Força do Regimento de Cavalaria da GNR, comandada pelo capitão Andrade e Sousa, cerca a Academia Militar, às 2 horas, para a PIDE/DGS efectuar buscas e prender o tenente-coronel João de Almeida Bruno, comandante do batalhão do Corpo de Alunos da Academia Militar. Teriam sido chamadas pelo coronel Leopoldo Severo, comandante do Corpo de Alunos da Academia Militar, devido à presença de elementos militares estranhos à Academia.

16 de Março de 1974 – Reunião na sala de oficiais do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha), às 2h30, com a presença do capitão Armando Ramos, capitão Gonçalves Novo, capitão Virgílio Luz Varela, capitão Piedade Faria, capitão Domingos Gil, tenente Rocha Neves, tenente Gomes Mendes, tenente Silva Carvalho, tenente Adelino de Matos Coelho e outros, para traçar o plano operacional da coluna militar que devia marchar sobre Lisboa e planear a defesa do quartel.

16 de Março de 1974 – Uma coluna autotransportada de 200 militares comandada pelo capitão Piedade Faria sai do quartel das Caldas da Rainha, às 4 horas, a caminho de Lisboa, com a missão de ocupar o aeroporto.

16 de Março de 1974 – A Região Militar de Lisboa entra em estado de prevenção reforçada às 4 horas.

16 de Março de 1974 – Diversas unidades militares e da GNR tomam posição estratégica na zona de Sacavém e de Vila Franca de Xira, às 6 horas, sob comando do Chefe do Estado-Maior do Exército, general João Paiva Brandão.

16 de Março de 1974 – Óscar Cardoso, inspector da PIDE/DGS, revista a casa do major Manuel Soares Monge, às 6 horas, durante a ausência deste.

16 de Março de 1974 – Cerca das 7h15, junto ao rio Trancão, os majores Luís Casanova Ferreira e Manuel Soares Monge, avisaram que a coluna tinha de regressar a Caldas da Rainha, por ser a única que tinha saído, estando um dispositivo militar preparado para a defrontar, à entrada de Lisboa.

16 de Março de 1974 – A companhia do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha) foi interceptada em Vila Franca de Xira, às 8h30, por um efectivo da GNR, comandado por um tenente, quando já tinha invertido a marcha em direcção às Caldas da Rainha.

16 de Março de 1974 – A Companhia de Caçadores do Regimento de Infantaria 5 reentra no quartel das Caldas da Rainha, cerca das 10h30.

16 de Março de 1974 – Comunicado do Comité Amílcar Cabral da Resistência Popular Anti-Colonial (RPAC) sobre os acontecimentos do golpe das Caldas da Rainha, denunciando «a burguesia colonial-fascista e os seus lacaios militaristas», aconselhando a «deserção em massas e com armas» para paralisar o «aparelho militar colonial-fascista».

16 de Março de 1974 – Cerca das 13 horas, o quartel do Regimento de Infantaria 5 foi cercado por forças dos Regimentos de Infantaria de Leiria e Tomar, uma coluna da GNR e companhia móvel da PSP, sob comando do segundo-comandante da Região Militar de Tomar, o brigadeiro Pedro Serrano. A rendição, consumada às 15h30, foi negociada pelos majores Manuel Monge e Casanova Ferreira.

16 de Março de 1974 – Foi dada voz de prisão aos oficiais revoltosos do Regimento de Infantaria 5, às 16 horas.

16 de Março de 1974 – Nota oficiosa da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (às 19 horas) garante que após «os oficiais insubordinados renderem-se sem resistência», já «reina a ordem em todo o País».

16 de Março de 1974 – Os oficiais presos do Regimento de Infantaria 5 (Caldas da Rainha), foram transferidos para a enfermaria do Regimento de Artilharia Ligeira 1, de Lisboa, às 21h30, sob escolta e prisão, donde passaram depois para a Casa de Reclusão Militar de Lisboa, no Forte da Trafaria.

17 de Março de 1974 – Trinta e cinco aspirantes milicianos, além de sargentos, furriéis e cabos-milicianos, foram conduzidos sobre prisão para o Campo Militar de Santa Margarida, às 3 horas, acusados de participação nos acontecimentos de 16 de Março, onde seriam depois interrogados pelo tenente-coronel Andrade e Sousa.

17 de Março de 1974 – A Division Acouraçada Brunete de Madrid, do Exército espanhol, efectua manobras militares junto da fronteira, em Badajoz.

18 de Março de 1974 – Encontro do major Otelo Saraiva de Carvalho com os majores Vítor Alves e Ernesto Melo Antunes, no Café Londres, tendo este ficado encarregue da redacção de um programa político, a elaborar a partir da circular e do manifesto “O Movimento, as Forças Armadas e a Nação”, para aclarar o sentido político e os objectivos do Movimento.

18 de Março de 1974 – Circular n.º 2/74 da Comissão Coordenadora do Movimento sobre a revolta das Caldas da Rainha e da sua importância para o futuro, apelando à firmeza e perseverança, afirmando que «é necessário mantermos a coesão […], conscientes de que, se soubermos ser coerentes e lúcidos, em breve alcançaremos o que nos propusemos». Foi redigida pelos majores Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves.

18 de Março de 1974 – Novo ataque do PAIGC ao quartel de Canquelifá, Norte da Guiné, com intenso fogo de foguetões, morteiros e canhões, durante quatro horas, causando um morto e cinco feridos graves.

18 de Março de 1974 – Informação oficial do Departamento da Defesa Nacional refere que foram detidos 33 oficias das Forças Armadas, na sequência dos acontecimentos de 16 de Março: tenente-coronel João Almeida Bruno, majores Manuel Soares Monge e Luís Casanova Ferreira, capitães Virgílio Luz Varela, Fortunato de Freitas, Ivo Garcia, Armando Marques Ramos, Farinha Ferreira, Pita Alves, Domingos Gil, Piedade Faria, Gonçalves Novo, Pereira Carvalho, Madaleno Lucas, Silva Parreirinha e Branco Ramos, os tenentes Rocha Neves, Pina Pereira, José Vaz Pombal, Moreira dos Santos, Matos Coelho, Abreu Carvalho, Gomes Mendes, Carreira Ângelo e José Verdu Montalvão, os alferes milicianos Dinis Coelho e Oliveira Ribeiro e outros.

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